Projeto contemplado pelo Edital de Concurso SEDAC/LPG nº 11/2023 – Edital de Concurso Pesquisa, Registro e Memória
O projeto consiste na digitalização e organização do acervo de Jacob Prudêncio Herrmann, fotógrafo amador, que integrou o Helios Club, e que produziu durante a década de 1930, um notável registro notável do cotidiano de Porto Alegre, bem como do interior do Rio Grande do Sul e litoral do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
A digitalização possibilitará a realização de uma pesquisa inicial sobre o acervo e a difusão do mesmo em um website para garantir o acesso ao público em geral e particularmente a historiadores e pesquisadores, possibilitando a realização de pesquisas sobre a história da fotografia no Rio Grande do Sul e em Porto Alegre.
As imagens, resgatadas e divulgadas na realização do projeto, serão sobretudo um referencial histórico importante nas análises e sobre o desenvolvimento urbano, mas também sociológico e antropológico, da cidade e sua região.

PROJETO EM EXECUÇÃO
Sobre o Projeto
Em 2002, o trabalho inédito de Jacob Prudêncio Herrmann, fotógrafo amador da década de 1930, foi revelado ao público em uma exposição em Porto Alegre. Em 2024, o projeto “Jacob Prudêncio Herrmann – O Olhar Revisitado”, contemplado pelos recursos federais provenientes da aplicação da Lei Paulo Gustavo, financiado por meio da Sedac (Secretaria do Estado da Cultura do RS) pelo Ministério da Cultura, deu início a um minucioso trabalho de digitalização, pesquisa e indexação deste acervo. O resultado desta iniciativa está enfim, disponibilizado para que novas pesquisas e consultas possam ser realizadas, para que tenhamos novos vislumbres dos significados intrínsecos a este nosso recorte de tempo.
O olhar revisitado
Em 2002, inaugurava-se em Porto Alegre a Foto Galeria Virgílio Callegari da Casa de Cultura Mario Quintana, com a exposição do acervo de um antigo e até então desconhecido fotógrafo porto-alegrense da década de 1930. Contemplada pelo Fumproarte da Secretaria Municipal da Cultura, a exposição surpreendeu pela quantidade de público que afluiu para conhecer de perto as imagens daquela Porto Alegre já remota.
Naquela ocasião, as cerca de 40 fotos expostas mostravam uma Porto Alegre singular, em enquadramentos que sugeriam um olhar cuidadoso e atento. Jacob Prudêncio Herrmann era um fotógrafo amador, porém a dimensão de seu acervo nos sugere que era bem mais do que um diletante. Suas fotos revelam por detrás da câmera, alguém que perscruta, investiga e interage com o tema representado.
Profissionalmente, Jacob era contador, guarda-livros, como se dizia na época. Mas uma vez fora do escritório, o artista que era vinha à tona, dando forma aos diversos aspectos daquele momento, tanto no sentido amplo das paisagens e eventos históricos, quanto da intimidade dos ambientes domésticos e familiares.
Tinha 33 anos quando começou a fotografar, porém, isto não se deu em Porto Alegre e sim em uma viagem que fez com a família à Alemanha. Lá, adquiriu uma câmera Zeiss-Ikon, e de lá mesmo nos vêm registros de uma cultura recém-saída de uma guerra e às vésperas de uma outra, ainda mais abismal. Não se sabe se ao viajar para a Alemanha, já ia com o propósito de adquirir uma câmera fotográfica, mas o fato evidente, como bem demonstram as fotos lá tiradas, é que percebeu de imediato o que tinha nas mãos.
De volta a Porto Alegre, iniciou uma apaixonada jornada fotográfica, que resultou num acervo com mais de mil fotos. Associou-se a um fotoclube, o Photo Club Helios, sediado na Sogipa, um clube àquela época, majoritariamente vinculado à comunidade de origem germânica. A partir daí, então, passou a fotografar regularmente ao longo de toda década de 1930 ee início da década de 1940.
Era um fotógrafo de fins de semana, uma vez que a rotina de seu trabalho como contador impunha esta condição. Porém, isso em nada o restringiu. Tinha um olhar de memorialista. Parecia saber que estava registrando uma realidade que o tempo em breve trataria de apagar. Guiado por esta intuição, foi registrando tipos humanos, costumes, eventos históricos, paisagens e momentos do cotidiano com uma sensibilidade surpreendente para um homem cujo cotidiano durante os dias de semana era bem outro.
Talvez Jacob não pensasse muito a respeito, mas ao analisarmos suas fotografias, é inevitável a sensação de que tinha um senso de equilíbrio e oportunidade típicos de um artista. Muitas imagens do acervo o sugerem. Majoritariamente, seus enquadramentos e a iluminação obtida, parecem ser resultado de um criterioso estudo prévio. Há nelas uma legibilidade e uma gradação de elementos compositivos que nos convidam a olhar sempre mais um pouco.
Há um detalhe interessante no processo da fotografia da época de Jacob. Por estarmos já amplamente condicionados pelas facilidades propiciadas pela digitalização processo fotográfico, talvez não percebamos de forma muito clara, a questão técnica envolvendo a fotografia na década de 1930. Nesta época, o filme utilizado era muito diferente, exigindo do fotógrafo um cuidado que hoje já parece inimaginável. Tratava-se de uma chapa de vidro de 9×12 centímetros, um materialque possibilitava grande nitidez, mas que era bem frágil. A isso, acrescente-se o fato de que não havia ainda o filme em rolo, o que significava tirar uma foto, remover o negativo da máquina, para depois, inserir o próximo… Entendendo isto, poderemos vislumbrar o cuidado e o zelo com que os fotógrafos da época necessitavam dedicar a cada foto. Algo bem diferente do que vivemos hoje.
Proposto pelo Cineclube Torres o projeto “Jacob Prudêncio Herrmann – o Olhar Revisitado” foi elaborado por uma qualificada equipe de onze profissionais, que se debruçaram na digitalização, pesquisa, elaboração de textos, indexação, acondicionamento, divulgação e lançamento. Acreditamos que o resultado deste esforço coletivo proporcionará a pesquisadores e interessados em geral, um fácil acesso aos importantes aspectos da realidade registrada por Jacob Prudêncio Herrmann, da Porto Alegre das décadas de 1930 e 40, bem como do interior do RS e litoral de Santa Catarina. Desejamos a todos uma prazerosa e frutífera fruição do acervo de Jacob.
